Crónicas (13)

O Cristóvão morreu.
 
O Cristóvão morreu. Poderia ser só isto. Mas não. É preciso dizer mais. É preciso dar voz ao Cristóvão. É preciso lembrá-lo. 
O Cristóvão era um menino pobre. Vivia com a avó que cuidava dele como se fosse a sua mãe, a mesma que deu de fosques quando o trouxe ao mundo. 
O Cristóvão foi crescendo, sempre sorridente, enérgico e brincalhão. Era um miúdo travesso, o Cristóvão. Não era apaixonado pelos estudos, mas tinha um dom. Desenhava como ninguém. Desenhava pessoas, flores, animais. O desenho era a sua paixão e companhia dos dias de solidão. 
Apesar de ser um menino simpático, o Cristóvão cheirava mal. As outras crianças afastavam-se dele, ignoravam-no. Mas ele não tinha culpa. Era pobre. E em alguns momentos, precisava até de surripiar o lanche dos amiguinhos para poder encher a barriga e matar a fome antes que ela o matasse. 
Portava-se mal, de vez em quando. Rebelde. Matreiro. Às vezes, juntava-se aos meninos maus, mas não era mau. Procurava integrar-se. E fazer asneiras era a forma de se ligar às outras crianças. De ser aceite. 
Foi-se tornando homem, e as circunstâncias da vida levaram-no a tomar muitas escolhas erradas. 
Hoje o Cristóvão morreu. Espancaram-no até à morte. Mas como sabemos, a justiça não funciona bem, e os malfeitores irão caminhar ao nosso lado, sem que imaginemos que carregam nas mãos, o sangue do Cristóvão. É que o Cristóvão era pobre, estava por conta própria, vivia, como quem diz, ao Deus-Dará. E como sabemos, a justiça não funciona bem para os Cristóvãos deste país.
Hoje recordemos esse rapazinho que mesmo não tendo tido o amor da mãe, no dia de celebrar as mães, desenhava com carinho rosas e malmequeres para os seus amiguinhos oferecerem às mamãs. O miúdo travesso a quem a vida foi madrasta. O miúdo que sorria mesmo com fome.
Que a morte do Cristóvão não seja em vão. Que sirva para que sejamos capazes de estender a mão a quem precisa, que saibamos acarinhar aquele que sofre, e que o mundo comece a dar as mesmas oportunidades a quem não nasce em berço de ouro. 
Se a vida do Cristóvão não fez a diferença no mundo, que a sua morte seja capaz de a fazer.
 
 

  Um dia que não é dia
  Um dia sem semanas,
  Nem sequer saberei se é dia ou noite
  Só sei que acordei para o viver.
 
  Do nada pensei, como feliz eu era
  Só de ser livre como um pássaro
  Agora, acordo numa jaula e vivo do que os outros me dizem.
   Agora penso, no quanto mau fui comigo mesmo,
   Penso no que podia mudar e no que deveria ter sido mudado.
 
   Penso nas pessoas, sim, as pessoas egoístas que vivem a apunhalar os outros
   Mas agora, agora penso que estamos todos no mesmo barco.
    Penso nos sonhos que ficaram pendentes, penso nas vontades de dizer "amo-te" a alguém mesmo existindo algo em mim a dizer que não posso.
    Penso no quanto eu era injusto para com a vida.
    Reflito nos meus erros, os mesmos que deveria mudar sem sequer pensar em coisas más.
  
   Sinto que acabei de perder a minha vida, a minha felicidade,
   Sinto que deveria ter feito coisas que nunca o fiz,
   Sinto que deveria ter menos medo, sem segredo.
   Sinto que nada sou, que nada serei, mas nunca o temerei.
No reino animal, há apenas 8 espécies de mamíferos onde a Fêmea lidera e por isso desempenha o papel vital de garantir a sobrevivência da espécie. Nas orcas, por exemplo, cada família é liderada pela Fêmea mais velha, e é ela quem guia todo o grupo na busca pela comida. As orcas Fêmea continuam a viver para lá da idade reprodutiva, passando pela menopausa. Este fenómeno acontece com o propósito de contribuir para a sobrevivência dos seus netos pois, como mostra um estudo publicado recentemente, as crias que crescem com a presença de uma avó têm mais probabilidades de sobreviver nos primeiros anos de vida.
Escrevo-te  na esperança de que me irás ler.
Finalmente conheci-te e acredita era tudo o que eu mais queria.
Nem imaginas o tempo que esperei por este momento.
Foram milésimas de segundos, segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, sem ti e sem saber sequer a tua existência.
Magoaram-me tanto, destruíram-me por completo, nem imaginas o quanto! 
Foram desilusões atrás de desilusões, 
O que aconteceu em Guimarães com Marega é lamentável e inacreditável, não é novo no futebol português. É novo, ele sair de campo, em todos os jogos vemos estas situações, existem muitos e muitos vídeos na internet sobre este assunto.  Em 2014 aconteceu a Dally do Freamunde, esse foi expulso pois baixou os calções para aqueles que o tratavam mal, todos temos maneiras diferentes de reagir, mas o curioso  é que em ambos os jogos o árbitro era Luis Godinho, sim o mesmo, tanto Marega como Dally tiveram muito mas muito tempo em campo, o tanto Luis Godinho como os delegados da liga nada fizeram, deixaram ir as ultimas consequências, um saiu campo fora o outro ao festejar o golo baixou os calções.
 
Na sociedade em que vivemos é isto que queremos? Não importa a cor da pele, assistimos a este atos em todos os jogos, mas por chamar nomes a um branco mesmo sendo de outra nacionalidade, por exemplo já não se considera racismo? Quantos jogadores, árbitros, dirigentes, treinadores não são ofendidos todos os fins-de-semana? Vou com muita frequência ao futebol, mas cada vez mais tenho receio de ir aos estádios e muito menos levar os meus filhos, o futebol deveria ser uma momento de festa, agora no futebol português é cenas de violência, racismo, xenofobia, cânticos ofensivos, depois vemos milhares e milhares de euros a saírem todos os fins-de-semana dos cofre do estado para escoltar, equipas de futebol, claques e ate árbitros, é isto que pretendemos?
 
Uma equipa ser escoltada de norte a sul do país, ou de sul a norte? Tanto se fala em legalização das claques, tanto se fala do clube vizinho ou rival, pergunto mais uma vez, já ouviram os presidentes dos clubes alguma vez falarem em reunir e ate pararem os campeonatos, para de uma vez por todas acabarem com isto? Não, pois isto é muito problemático, vemos tochas arder, vemos cânticos a desejar a morte de outros, ataques aos jogadores, dirigentes, mortes de adeptos junto a estádios, o que fazemos? Assobiamos para o lado. O que vemos a LIGA a fazer? Pede reuniões a secretaria de estado do desporto e depois para minimizar os problemas, fazem vistorias aos estádios e obrigam os clubes a fazer as chamadas caixas de segurança que entram em vigor já na próxima época, os estádios são jardins zoológicos para terem jaulas? Temos vários exemplos por está europa fora, em Espanha vemos nas bancadas sócios dos dois clubes juntos, cá proíbem a entrada de camisolas do outro clube na bancada dos sócios, em Inglaterra acabaram com os arruaceiros, vemos os estádios cheios, com pais, filhos, mães, avos todos juntos na festa do futebol.
 
Cá, só um pai louco é que leva os filhos ao futebol por exemplo num Porto – Benfica ou vice-versa. Acho que chegou o momento de acabar com a podridão no futebol. 

O Dia Internacional da Mulher celebra-se hoje. Não irei discorrer sobre o que originou a efeméride deste dia, até porque pessoas bem mais eloquentes do que eu já escreveram sobre o tema.

Quando se pensa neste dia, por norma, pensamos no dia em que as mulheres se unem, para irem jantar todas juntas, mesmo quando não gostam de algumas mulheres com quem vão jantar.
 
É o Dia Internacional da Mulher, recebes 5000 notificações de eventos pelo facebook para ires celebrar um dia que vamos sabotando todos os outros 364 dias do ano.
 
Nós, mulheres, somos muito mais misóginas connosco do que os próprios homens.
 
Ninguém é mais intolerante com as mulheres do que nós próprias.
 
Na minha modesta opinião, a origem de toda a desigualdade da qual lutamos todos os dias é mesmo culpa das mulheres. Senão vejamos:
 
1. No mundo do trabalho somos nós próprias que afirmamos peremptoriamente: "Ah, trabalho num departamento onde são só mulheres. É sempre muito conflito!", "Bom mesmo é trabalhar só com homens".
 
2. Mulheres competem entre si no mundo do trabalho. Equipa de trabalho só com mulheres? É discussão na certa.
 
3. Já viram alguma mulher ceder passagem no trânsito a outra mulher? Eu não! E também nunca cedi...
 
4. Mulher compete entre si sobre as capacidades dos filhos: "O meu Manel começou a andar com 8 meses!". "Mas o meu começou a falar com 3 meses e já dizia "concomitantemente".
 
5. O teu parceiro traiu-te? Quem é a senhora que, por ventura, concede favores sexuais a troco de recompensa monetária com expressão bovina? A culpa é sempre a outra. Nunca do marido!
 
6. Nós competimos até na roupa. Estudos apontam que as mulheres cuidam da sua aparência física para competir com as outras mulheres. A questão da roupa é essencial para a rivalidade feminina. Chegamos a fazer esquemas, no saldos, para ninguém comprar aquela peça que nós vimos. Fazemos assim: vamos a uma loja e vemos uma peça de roupa que gostamos. Porém, não vamos ceder, logo assim à primeira, à tentação consumista na primeira loja. O que fazemos? Escondemos a peça no recanto mais recôndito da loja para que MAIS NINGUÉM a compre. Dá-mos uma volta ao shopping e no fim das compras, se acharmos que a peça vale a pena, vamos lá buscá-la!
 
7. A expressão "beijinho no ombro pró recalque passar" só podia ser inventada por uma mulher. As mulheres acham sempre que as outras a invejam. Não sabem muito bem o que concretamente devem invejar, mas invejam na certa!
 
8. Se mulher sobe na carreira, algumas de nós somos suficientemente maquiavélicas para afirmar sem provas: "Subiu na horizontal, de certeza!"
 
9. Mulher compete até sobre quem tem o marido que menos colabora em casa: "O meu marido não sacode a roupa antes de a estender!" Ao que a outra diz: "Então e o meu que deixa a toalha molhada em cima da cama? Ao menos o teu estende a roupa!"
 
10. Mulher jamais poderá ir vestida igual a outra num casamento. O medo de comparação com outra rival supera tudo!
 
O que é certo é que as mulheres odeiam-se mutuamente e os homens são estúpidos o suficiente para estarem no meio desta guerra sangrenta!
 
E, para mim, quem inventou o machismo foram as mulheres.
 
Tudo começou no paleolítico. Nesse tempo, os homens iam à caça para alimentar a sua tribo. Todas as mulheres ficavam na caverna a cuidar das crianças e a manter o fogo aceso (podemos fazer esta analogia na relação mulher/homem, que sempre cabe à mulher a função de "manter o fogo aceso").
 
Quando o homem chegava da caçada, ficava ali, sentado, a olhar o fogo (basicamente o que, ainda hoje, os homens fazem quando chegam a casa do trabalho: com o olhar perdido no ar, sem pensar em nada e a responder em monossílabos...).
 
Porque é que as mulheres do paleolítico, não começaram, logo ali, a luta: "Manel, porque não conversas comigo?" "Porque é que sempre que chegas a casa, largas as lanças em qualquer lado?" "Toma conta dos miúdos enquanto eu vou correr atrás de um bisonte, já não faço exercício há imenso tempo!"; "Manel hoje assas o mamute que eu vou chegar mais tarde do escritório. Ah: e não te esqueças de aquecer a água para dar banho aos miúdos!"
 
A culpa é nossa. Somos nós que nos boicotámos. Não nos apoiámos umas à outras. Se o dia da mulher fosse realmente celebrado todos os dias pelas mulheres, sendo âncoras umas das outras talvez, ainda hoje, não estivéssemos ainda a falar de desigualdades salariais, desigualdades políticas, desigualdades sociais.
 
Gaja com mulher no sítio apoia outra gaja!
 
#gajasunidasjamaisseraovencidas
 
Modificado em quarta, 13 março 2019 10:00