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A ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO SOUSA PDF Imprimir e-mail
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CONHEÇA AQUI A ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO SOUSA.  

"No contexto do românico português, a arquitectura românica do Vale do Sousa apresenta características muito peculiares e muito regionalizadas.

Nas Bacias do Sousa e do Baixo-Tâmega a escultura românica mostra uma personalidade muito própria optando, quase sistematicamente, por elementos vegetalistas.

A sua singularidade reside na escultura vegetalista, patente nos capitéis e em longos frisos, muito bem desenhada e plana, na qual se utilizou a técnica do bisel. Esta forma de esculpir, uma vez que recorre ao corte feito obliquamente, favorece muito a clareza dos motivos porque potencia os efeitos de luz e de sombra. ...


Utilizada nas épocas visigótica e moçarabe a escultura talhada a bisel, bem como os motivos vegetalistas e geométricos que utiliza, é retomada nas igrejas do Vale do Sousa.

Correspondendo, quase sempre, a reformas românicas de igrejas anteriores – é de notar que a maior parte dos mosteiros e igrejas românicas da região corresponde a fundações muito mais antigas do que a arquitectura que apresenta – as novas construções do século XIII utilizaram modelos patentes nas antigas igrejas pré-românicas, então reformadas. A estes modelos juntaram-se os reportórios decorativos caldeados e difundidos pelos estaleiros da Sé-Velha de Coimbra, da Sé do Porto e da Sé de Braga/São Pedro de Rates, formando uma nova sintaxe, muito própria e muito regionalizada.

Acresce ainda referir que nestas igrejas poucas vezes pontua a figura humana. Já no que diz respeito aos temas animalistas eles surgem, no Vale do Sousa, sustentando os tímpanos dos portais e tendo, claramente, a função de defender as entradas do templo.

A arquitectura desta região adopta, a maioria das vezes, cabeceiras de perfil rectângular – embora haja exemplos mais eruditos que utilizam ábsides semi-circulares, como em Paço de Sousa, Pombeiro e São Pedro de Ferreira – e fachadas onde se encaixam portais bastante profundos, mostrando quanto a sua solenização se coaduna com o entendimento do portal principal da igreja como Porta do Céu, Pórtico da Glória ou Pórtico da Salvação embora, na maioria dos casos não existam, nestes portais, programas figurativos de índole teológica. No entanto, o cuidado posto no seu arranjo e a profusão da escultura que ostentam constituem, em si próprios, a vontade de nobilitar e defender os portais. É esta, também, uma das singularidades do românico português e do românico do Vale do Sousa em particular, e um das suas características mais sedutoras.

A igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (Penafiel), constitui um monumento nuclear no contexto da arquitectura românica do Vale do Sousa. As suas singulares características, tanto ao nível da arquitectura como da escultura, fazem deste velho mosteiro beneditino um dos mais apelativos e prestigiados testemunhos da arquitectura românica portuguesa.

A igreja, muito celebrada, apresenta um modo muito próprio de decorar, tanto pelos temas como pelas técnicas empregues na escultura. Esta escultura, típica das Bacias do Sousa e do Baixo Tâmega, adopta colunas prismáticas nos portais, bases bolbiformes, emprega padrões decorativos vegetalistas talhados a bisel, e desenvolve, como já foi referido, longos frisos no interior e no exterior das igrejas à maneira da arquitectura das épocas visigótica e moçárabe.

Como foi notado por Manuel Monteiro, terá sido em Paço de Sousa que se forjou uma corrente com base na tradição pré-românica influenciada, igualmente, por temas originários do românico de Coimbra e da Sé do Porto, dando origem ao que designou por românico nacionalizado.

Como é próprio do românico português, à medida que o estilo se expande e implanta no território também se regionaliza, afastando-se do reportório decorativo de origem francesa e das formas mais eruditas de construir."

 

 (parte do texto de autoria da Professora Dra. Lúcia Maria Cardoso Rosas [LR] do Departamento de Ciências e Técnicas do Património - Faculdade de Letras  -Universidade do Porto -Arquitectura Medieval)

 
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