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Letícia Brito

Letícia Brito

11 fevereiro

Amor, penitência e palhaços

A propósito do Dia dos Namorados que este ano coincide com a palhaçada e com a penitência, é importante deixar alguns pontos assentes. 
 
Não existem relações perfeitas, mas quando se ama, a perfeição fica à parte, o importante é amar o outro com o nosso melhor.
Relações são complexas. 
 
As pessoas são diferentes e colidem. Mas as diferenças fazem com que, na mesma medida, as pessoas se aproximem umas das outras e se completem.
 
Haverá dias maus e bons. Momentos em que teremos vontade de desistir, e outros em que vamos parar, refletir e compreender o amor.
 
Seremos orgulhosos, mas daremos o braço a torcer e vamos à guerra – e quem vai à guerra, dá e leva, já diz o ditado.
 
Vamos agarrar o outro com unhas e dentes, porque é disso que é feito o amor: é um dar sem esperar receber, é uma luta constante até ao fim.
 
Se hoje o dia foi chuvoso, podemos pintar um arco-íris no nosso céu, afinal, quando duas pessoas se amam, não importa o que aconteça, elas sempre arranjarão uma forma de ficarem juntas. 
 
Não fiquemos em relações que são verdadeiras penitências, que nos corroem até aos ossos, mas também, não façamos do amor, uma autêntica palhaçada. Que amar só vale a pena se for para rir, é verdade, mas rir de tudo é desespero.
04 fevereiro

TERRA DA LIBERDADE

Entre 2013 e 2016, a APAV registou um total de 29.619 processos de apoio a pessoas vítimas de Violência Doméstica, mais de 85% eram mulheres.
 
Mulheres que viram os seus sonhos serem interrompidos, os seus objetivos serem espezinhados quando deram o último suspiro agonizando uma morte que não mereciam.
 
Quando o sol brilha é para todos, correto? Então onde fica a igualdade de género? Esse termo rodeado de tabus, que suscita discussão, preconceito, medo e morte?
 
A igualdade de género implica abolir a discriminação entre os sexos, e que não seja favorecido o homem em nenhum aspeto da vida social, tal como era frequente há algumas décadas.
 
Atualmente, a sociedade tenta mascarar a realidade afirmando que as mulheres já conquistaram todos os direitos e escolhas que as colocam em pé de igualdade com os homens. Mentira absurda! Os media, em geral, propagam fortemente na publicidade, nas telenovelas e nos filmes, a passividade da mulher em relação ao homem e legitima o corpo da mulher como objeto sexual.
 
Igualdade de género nunca matou ninguém, mas o machismo mata todos os dias e é importante que todos tenhamos uma noção clara destes conceitos, para que possamos entrar numa luta justa. 
 
Não serei mulher livre enquanto outras mulheres viverem oprimidas. Viverei acorrentada, ainda que as correntes delas não sejam as minhas. 
O sol quando brilha é para todos, não é?
 
Então porque é que algumas mulheres nunca mais poderão vê-lo brilhar?  
14 janeiro

O SER HUMANO NÃO É PERFEITO

O ser humano falha e são as suas falhas que o permitem aprimorar-se.
 
No entanto, o medo de falhar é uma constante. Está sempre presente, como uma pulga profundamente entranhada no nosso corpo.
 
O que acontece é que ao permitirmos que as nossas crianças cresçam toldadas pelo medo, estamos a projetar um futuro triste e sem sonhos. 
 
Quantos de nós já desistimos de fazer aquilo em que realmente éramos bons?
 
Quantos de nós já desistimos de trabalhar com o que nos entusiasma e dá vigor à vida?
 
Matar o sonho é matar o que temos de verdadeiramente nosso, e infelizmente, os sonhos dos mais novos são aniquilados logo que se dão a conhecer. 
 
Crescemos numa era descartável, as pessoas assemelham-se a fotocopiadoras em massa, e vivemos para servir os ideais que nos foram incutidos desde tenra idade, ideais esses que fazem com que nos esqueçamos da nossa essência.
 
Nem todos nascemos com o desejo de seguir um curso de medicina, nem todos somos génios da matemática… Alguns de nós, queremos apenas seguir o coração! 
 
«Mas tu tens de ser alguma coisa, tens de tomar uma decisão», e se eu não quiser tomar decisão alguma? Dizem que as pessoas que se aventuram em dezenas de ofícios, fazem-no porque não sabem o que querem, de facto, da vida. 
 
Mas quem escreveu essa lei que nos obriga a escolher uma profissão e a conformarmo-nos a vida inteira com um trabalho que não nos faz sorrir?
 
Quem disse que precisamos optar por um mestrado numa área que nem gostamos assim tanto em detrimento de vários outros cursos que não nos garantem saídas profissionais, mas nos fazem sentir completos e felizes?
 
Eu quero ser tudo o que gosto de fazer, e se é esse o desejo das nossas crianças, então talvez seja nosso dever deixá-las serem tudo o que elas quiserem, desde que o sejam com dignidade e respeito. 
 
Será que é mais importante formar adultos felizes ou adultos doutores?